Artigo sobre Preconceito, Discriminação e Esteriótipos




1 - Relação entre estereótipo, preconceito e discriminação.

Os conceitos de estereótipo, preconceito e discriminação estão intrinsecamente relacionados e sua articulação culmina com o que chamamos de atitude, majoritariamente negativa, com relação a uma pessoa ou um grupo de pessoas. Os estereótipos são ideias ou crenças que compartilhamos sobre as características físicas ou psicológicas de um determinado grupo social ou nação, isto é, “refere-se a crenças compartilhadas acerca de atributos – geralmente traços de personalidade – ou comportamentos costumeiros de certas pessoas ou grupos de pessoas” (Rodrigues; Assmar; Jablonski, 1999, p. 150). Na maioria das vezes constituem-se por formulações cognitivas generalistas e, portanto, errôneas e preconceituosas, como por exemplo, desde criança somos influenciados pela sociedade a acreditar que certas raças são superiores e outras inferiores, bonitas e feias, inteligentes e outras desprovidas de conhecimento. Desta forma, imaginamos de maneira generalizada que todos os palestinos e israelenses são violentos e cruéis, afinal crescemos ouvindo e vendo pelos meios de comunicação os conflitos sanguinários travados entre esses dois povos, assim também como muitos outros povos de outros países formularam, através das experiências vividas ou das influencias sociais sofridas, imagens equivocadas de que todas as brasileiras e brasileiros são mulatos ou negros ordeiros, pacíficos e que gostam de futebol, cerveja, samba e carnaval. É a partir destas ideias que agimos muitas vezes de forma preconceituosa e discriminatória com relação a grupos que consideramos diferentes e, portanto, inferiores ao que pertencemos. Entretanto, sabemos que constituímos e somos constituídos por uma mesma espécie, a Homo sapiens sapiens, enfim, a espécie humana e que por mais que fisicamente e/ou externamente sejamos diferentes, fisiologicamente somos iguais. Todo ser humano defeca, dorme, sente sono, fome, frio, chora, canta, dança, enfim, porque existem pessoas que querem ser superiores e melhores do que outras? Só porque alguns têm mais melanina na pele do que outros ou porque existem pessoas fisicamente maiores ou menores que outras? Não existe fundamentação científica para o preconceito, mesmo assim continuamos agindo de acordo com ele, afinal suas causas estão para além de fatores genéticos, como personalidade autoritária, advêm, principalmente, de fatores sociais como a aprendizagem, a conformidade e a distinção social e econômica de classes.
Muitos estudiosos, como os psicólogos sociais, definem o estereótipo como sendo a base cognitiva do preconceito (Rodrigues, Assmar e Jablonski, 1999), afinal este é composto por três elementos: o cognitivo, o afetivo e o comportamental. O componente cognitivo, assim como foi salientado anteriormente, é definido pelos valores, princípios, ideias e crenças que defendemos, acreditamos ou somos influenciados a acreditar que são verdadeiros e legítimos. As representações sociais e os estereótipos são exemplos clássicos do elemento cognitivo do preconceito, como proposições do tipo: “os negros são preguiçosos e supersticiosos”, “os pobres são imprevidentes e desestruturados”, “as mulheres são frágeis e burras”, “os gays são espalhafatosos e indiscretos”. Percebam que são ideias do senso comum, sem nenhuma fundamentação teórica e científica, e que, desta forma, são generalizadas, superficiais, equivocadas e errôneas. O componente afetivo diz respeito aos sentimentos e emoções que nutrimos com relação a alguém ou um conjunto de pessoas e como são consequências do componente cognitivo geral e majoritariamente são negativos. Quer dizer, a partir da crença de que os gays são indiscretos e inescrupulosos com relação aos costumes e valores sociais, por exemplo, muitas pessoas passam a despertar sentimentos negativos contra esse segmento social, bem como a raiva, a indiferença, o medo. Já o componente comportamental, por sua vez, é o resultado da articulação entre o cognitivo e o afetivo, isto é, refere-se a predisposição que pessoas têm para agir de forma discriminatória tomando atitudes radicais, excludentes e absurdas, como o extermínio que é a atitude máxima do preconceito. Outros comportamentos menos radicais como a agressão verbal compõem esse elemento. Exemplificando, pode-se citar a violência física ou verbal contra os nordestinos e outros povos de outras culturas, raças ou etnias que são vítimas de crenças preconceituosas como, “são preguiçosos e vagabundos” (componente cognitivo), de sentimentos negativos como, “odeio esse povo burro sem cultura” (componente afetivo), e, por fim, são vítimas de atitudes discriminatórias como a agressão, a exclusão e radicalmente o genocídio (componente comportamental).


2 – As atitudes de Adolf Hitler enquanto reflexos da articulação entre estereótipos, preconceitos e discriminações.

Adolf Hitler é considerado o exemplo máximo de pessoa preconceituosa que discriminava de forma absurda e cruel baseando-se e justificando suas ações em ideias estereotipadas e crenças irracionais e, portanto, ilógicas. Ao se tornar presidente da Alemanha, em 1934, criou o partido Nazista defendendo e pondo em prática uma série de medidas persecutórias de caráter excludente, torturante e com requintes de crueldade contra minorias e segmentos sociais, dentre eles ciganos, comunistas, homossexuais, doentes mentais e, sobretudo, judeus, pois acreditava e passou a defender a ideia de que a raça ariana era pura e não poderia ser “infectada” através da miscigenação por outras raças que eram consideradas por ele como genética e intelectualmente inferiores, como os judeus. Tal ideologia defendida por Hitler, fundamentada por um conjunto de crenças megalomaníacas, constituiu o elemento cognitivo das suas atitudes. Os sentimentos de ódio e raiva que alimentou contra os judeus a partir da ideia de que eles foram os culpados pela derrota da Alemanha na primeira Guerra Mundial e por todos os prejuízos e crises que este país passou a enfrentar compõem o elemento afetivo do seu preconceito. Juntando a crença da existência de uma raça pura, de que os judeus foram os culpados pela derrota da Alemanha e que eram uma raça inferior aos sentimentos e emoções negativos nutridos por Hitler referentes a tais ideias desaguou-se nas suas atitudes discriminatórias, como o extermínio de mais de 6 milhões de judeus. A esse respeito os autores Rodrigues, Assmar e Jablonski (1999, p. 162) ressaltam que:

Quando estamos nos referindo à esfera do comportamento (expressões verbais hostis, condutas agressivas, etc.), fazemos o uso do termo discriminação. Neste caso, sentimentos hostis somados a crenças estereotipadas deságuam numa atuação que pode variar de um tratamento diferenciado a expressões verbais de desprezo e a atos manifestos de agressividade.

A discriminação comandada por Hitler atingiu o seu ápice após a construção de milhares de campos de concentração e extermínio, nos quais os prisioneiros eram obrigados a realizar trabalho forçado e os que sobreviviam a tal regime de escravidão eram executados de forma imensurável. O principal deles era o campo de Auschwitz-Birkenau onde cerca de 1 milhão de judeus foram exterminados por fuzilamento ou nas câmaras de gás. Carneiro (2000, p.56) lembra que:

[...] as vítimas passaram a ser encaminhadas para as câmaras de gás – que tinham a aparência de banheiro coletivo – e eram levadas a crer que tomariam banho. Ali se travava uma verdadeira batalha: a luz era cortada e o gás subia de baixo para cima. Inicialmente, os cadáveres eram amontoados em fossas comuns; mais tarde, foram construídos fornos crematórios para destruí-los.

As práticas persecutórias, torturantes e homicidas cometidas pelos nazistas, a mando de Hitler, durante o III Reich e o fim da Segunda Guerra Mundial ficaram mundialmente conhecidas como Holocausto, caracterizando-se como um dos maiores senão o maior crime contra a humanidade e, portanto, contra a espécie humana, visto que o sofrimento das vítimas é inefável e inexprimível por palavras. Nos campos de concentração, viviam em condições insalubres, a alimentação era precária e quase ingerível e, além disso, eram submetidas como cobaias a experimentos científicos que extrapolavam a ética e  o senso humanos. 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSMAR, Eveline M. Leal; JABLONSKI, Bernardo; RODRIGUES, Aroldo. Psicologia Social. 18 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999.
CARNEIRO, Maria L. Tucci. Holocausto: crime contra a humanidade. São Paulo, SP: Ática, 2000.


REFERÊNCIAS ELETRÔNICAS

SOUZA, Rainer. Holocausto. Disponível em: http://www.brasilescola.com/historiag/holocausto.htm. Acesso em: 12 de novembro de 2014.
Holocausto. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Holocausto. Acesso em: 13 de novembro de 2014. 

Autor: Marcondes Torres.

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