Resumo do livro A Morte e A Morte de Quincas Berro D'Água de Jorge Amado

Fonte da imagem: Menina da Bahia
Os fatos a respeito da morte do funcionário público Joaquim Soares da Cunha, mais conhecido por todos na Bahia como Quincas Berro D’água, são cercados de mistérios, controversas e argumentos desencontrados. Ele que antes da sua morte social decretada pela família, ou seja, antes de se tornar um vagabundo, apreciador de cachaça, galanteador das prostitutas dos bordeis da Bahia e amigo fiel dos piadistas cachaceiros das ruas da cidade, era um pai e esposo respeitado e admirado pela família e pela sociedade civil, um funcionário público competente, reconhecido pela sua assiduidade e honra para com os colegas de trabalho.
Certo dia saiu de casa após ofender seus familiares com palavras de descompostura, a filha Vanda e esposa Otacília, e nunca mais voltou causando vergonha aos familiares, dentre eles os irmãos Eduardo e Marocas e o genro Leonardo, ao tornar-se um desocupado, arruaceiro e amigo de farra de vagabundos como ele. Para a família seu novo estilo de vida era uma desonra e desrespeito à imagem social por ela construída perante a sociedade.
Em um dia normal foi encontrado morto por uma velha amiga em seu pequeno e sujo quarto de um cortiço. Seu corpo estava mal trajado, maltrapilho e sujo. A família logo ficou sabendo, porém a notícia soou como um alívio, pois finalmente teriam paz novamente e poderiam enfim reconstruir a sua imagem de bom pai e esposo respeitado e honrado por todos. Os gastos com o cortejo funeral era um desaforo diante tanto desgosto que ele causara aos familiares ao longo dos seus dez anos de vadiagem e perambulação. Todos contribuíram para custear com as roupas elegantes e os demais adornos do velório, mesmo que a contra gosto. Decidiram por não avisar a ninguém sobre seu velório para evitar gastos. Fariam um cortejo simples avisando apenas alguns conhecidos.

Quando souberam da trágica noticia, seus amigos de farra e gandaia, o Pé-de-Vento, o Curió, o Cabo Martim e o Negro Pastinha, logo correram para o local do velório. Os familiares cansados e indispostos a passarem uma noite inteira sem fechar os olhos um segundo sequer, deixaram o corpo do defunto sob a vigília dos amigos incômodos. Estes bêbados como de costume também ofereceram cachaça ao defunto e o tiraram do caixão o vestindo com suas roupas antigas e mais confortáveis. O levaram para um passeio pelas ruas da cidade e para uma festa em alto mar. As águas marinhas logo se agitaram com a chegada de uma densa tempestade e Quincas, que mais parecia vivo do que morto, caiu nas águas revoltas em um dos balanços do barco. Antes, porém, de ter a sua segunda morte consumada proferiu as seguintes palavras recontadas e proferidas pelos que ali se faziam presentes: “Me enterro como entender / na hora que resolver. Podem guardar seu caixão / pra melhor ocasião. Não vou deixar me prender / em cova rasa no chão”.

Autor: Marcondes Torres


Autor(es): Jorge Amado
Editora: Companhia das Letras
Área(s): Letras / Literatura
ISBN: 9788535911831
Páginas:120 

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