Resumo do livro O Ateneu de Raul Pompéia

Personagens do livro
Sérgio, o narrador-personagem de O Ateneu, é uma criança de 11 anos que é internada pelo pai no colégio Ateneu, uma das mais importantes instituições de ensino privado do Rio de Janeiro nas décadas finais do século XIX, onde eram internados os filhos da elite da época de todos os Estados do país. 
Antes de se matricular no colégio já havia tido algumas aulas particulares em casa. Fora duas vezes ao Ateneu antes do inicio das aulas. Presenciou uma das solenidades de premiação dos alunos destaques onde estavam presentes os seus familiares, jornalistas, políticos, a Princesa Regente do Império, enfim, a elite burguesa da época. Ficou maravilhado e encantado com a suntuosidade, grandeza e imponência da instituição e particularmente do evento. Em outra ocasião, participou como espectador da festa da educação física, olimpíada de várias modalidades de esportes que premiava os vencedores, como lutas, natação, corrida etc. No entanto, dias depois desiludiu-se com a beleza aparente do colégio, ficou sobretudo, decepcionado com os perfis e personalidades dos internos, com a rigorosidade da disciplina que lhes era imposta e com as formas inflexíveis de punição aos “indisciplinados”, além de ter ficado amedrontado com a aspereza, autoritarismo, cinismo e dissimulação  do seu diretor, O Aristarco, que mais parecia um comerciante empresário do que um profissional da educação.
No primeiro dia de aula passou mal de tanto nervosismo após ser convidado pelo professor a ser examinado à frente da turma. O exame foi adiado. Foi indicado pelo professor Mânlio ao Rebelo e ao Sanches, alunos inteligentes e aplicados que, assim como outros, também vigilavam o comportamentos dos internos. Rebelo o explica, em tom de mistério, cinismo e medo, sobre o funcionamento do colégio, as punições, os perfis dos estudantes e o alerta sobre se fazer forte, homem corajoso para enfrentar os abusos, as chacotas e piadas e as práticas violentas dos colegas, não admitindo protetores, pois estes se aproveitam dos fracos os pervertendo, abusando das suas fragilidades e, muitas vezes, trocando sua proteção por favores sexuais. Sérgio fica atônito e amedrontado, afinal ainda era uma criança indefesa e sem proteção alguma naquele ambiente descrito por Rebelo como inóspito e hostil.
À noite, cansado das chacotas, pilhérias e incômodos de Barbalho, um pirralho caolho, gordo e sarcástico, abufela-se com ele numa luta feroz. Com a chegada de Silvino, um dos vigilantes, foge e Sérgio percebe que sangra do nariz. Já no dormitório, abstrai-se retrospectivamente sobre seu dia.
Teve pesadelos na primeira noite no internato. Chorava, muitas vezes, sozinho, desolado em seu leito.
No dia seguinte, em seu primeiro banho na grandiosa piscina onde desordenadamente banhavam-se os alunos, principalmente nos meses de maior calor, passou por uma situação desesperadora, provavelmente um marmanjo puxou-lhe as pernas fazendo-o cair e quase afogar-se. Por sorte, Sanches o salvou, porém desconfiou que ele causou-lhe este incidente para ganhar-lhe a confiança e a amizade. Se a assim o foi, seu plano vingou.
Passou a estudar com o Sanches. Este, porém, demostrou-se exacerbadamente pegajoso, aproximando-se com intenções imorais e por ele indesejadas, o deixando constrangido e com asco, além de lhe incomodar o seu bafejo odoroso, o que lhe impeliu a afastar-se dele. Sanches ficou ressentido e rancoroso.
Nos dias posteriores de internação sentiu na pele e na alma pueril toda sorte de situações, em sua maior parte constrangedoras, indesejadas, vexatórias e deprimentes. Temia, como toda a massa de alunos, a divulgação, na manhã seguinte, das notas avaliadoras dos professores do dia anterior registradas no temível Livro das Notas. Franco, sempre com notas baixas, era o mais penalizado e castigado. Os castigos eram públicos, vexatórios e constrangedores, como ajoelhar-se perante os colegas, sempre cabisbaixo rubro de vergonha e acanhamento, ou ficar perante uma parede de costas à turma, além de, geralmente, redigir páginas infindáveis de temáticas escolhidas autoritariamente por Aristarco. Certa vez, o nome de Sérgio fora registrado na gazetilha, porém, por “clemência”, Aristarco o perdoou, afinal era sua primeira vez.
Fora os castigos, eram obrigados a orarem disciplinadamente, sob a vigilância fulminante do diretor, que vez ou outra era dominado por cóleras de um deus do olimpo grego, ou em coro bradarem ritmicamente cânticos religiosos.
Uma vez, Franco fora severamente punido por urinar no poço do qual era coletada a água de lavagem dos pratos. O diretor enraivecido o injuriou publicamente com palavras descompostas. De joelho na porta do refeitório era humilhado pelos colegas que o empurravam, o beliscavam e o injuriavam.
Movido pela raiva estava decidido a vingar-se. Pediu auxilio ao Sérgio, que sem saber do que tratava-se o ajudou. No quintal, colheram inúmeras garrafas de vidro, as quais Franco quebrara e lançara os cacos no fundo da piscina para os seus carrascos se ferirem no banho da manhã seguinte. Sergio ficou horrorizado, insone e preocupado pelo peso da culpa que o martirizava. Passou a noite orando na capela à Santa Rosália, a sua santa de devoção, até adormecer em um profundo sono. Foi acordado pelos colegas no outro dia. Interrogou aos internos sobre o acidente na piscina, porém sem entenderam nada disseram que fora secada para lavagem. Ficou aliviado atribuindo o feito aos poderes da divindade. Inventou uma desculpa que não colou e foram castigados a escrevem por horas a fio como castigo à traquinagem absurda.
Os alunos criaram o Grêmio Literário Amor ao Saber, onde formavam grupos de discussão e estudo, ao qual Sérgio se inscrevera e fizera um novo amigo, o Bento Alves, aluno inteligente, forte, tímido e aparentemente simpático. Passaram a fazer tudo juntos em um companheirismo admirável, que, porém, era motivo de chacota e pilhéria dos colegas infectados pelo preconceito.
Porém de volta das férias Sérgio, sem explicação foi agredido por Bento, que abandonou o colégio. Antes das férias realizavam passeios nos cartões postais do Rio de Janeiro. Esta era uma das diversões que os distraia e entretinha para além dos muros do Ateneu, o qual era cercado pelo tédio e pela monotonia.  
Franco, certo dia, falecera após adoecer na cafua, uma espécie de quarto inóspito e sombrio habitado por ratos em que eram trancafiados os punidos por indisciplina. Em seus lençóis descobriram a imagem de uma santa, era Santa Rosália que havia sido furtada de Sérgio.
Nas vésperas de irem para casa, depois de dois anos de internação, alguns alunos estavam ansiosos, tediosos e enfadonhos daquela vida monótona, cheias de surpresas e inconveniências. Na solenidade de encerramento dos trabalhos letivos da instituição fizeram presença diversas autoridades e representantes políticos, pais e alunos clientes do Ateneu, além de jornalistas e outros que compor-se-ia  a pequena massa elitista. Tudo era suntuoso e elegante, as arquibancadas do anfiteatro construído no pátio do internato, o trono da Regente, a organização e disciplina da banda, o oponente palco, as ornamentações decorativas do ambiente, o tapete e tudo mais. Ao longo da solenidade os alunos de melhores notas eram premiados com medalhas de ouro, prata e com diplomas de menção honrosa. Sérgio finalmente foi premiado com um diploma, assim também como o seu mais novo amigo, o Egbert, um menino inglês educado, inteligente e gentil que lhe fazia companhia em quase todas as tarefas e atividades cotidianas, num gesto de extrema amizade e companheirismo fraternal. Por isso, fora convidado a jantar na casa do diretor em reconhecimento do seu esforço e dedicação nos estudos. Fora mais por causa do amigo e por curiosidade em conhecer os seus familiares e a sua casa. Depois da sua admiração pelos carinhos e afagos recebidos por D.Ema sua relação com Egbert esfria.
Ao adoecer de sarampo ficou sob os cuidados da esposa de Aristarco, D. Ema, em sua residência, pois seus pais tinham viajado para a Europa. Despertou por ela um sentimento de amor maternal, por vezes, confundido como o de um amante.
É tomado por um grande susto na enfermaria quando ouve gritos de que o Ateneu ardia em chamas. Provavelmente, o fogo havia sido ateado por Américo, um jovem inconsequente e imperativo que após fugir uma vez do internato fora trazido de volta pelo pai que exigiu rigor na sua correção. A esposa do diretor some na confusão assim como Américo. Aristarco assiste desolado e sem poder fazer nada a destruição lenta da sua obra e fonte de riqueza. 

Autor: Marcondes Torres.

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