Resenha do filme Batismo de Sangue

Fonte da imagem: Youtube

Batismo de Sangue é uma versão cinematográfica da obra homônima de Frei Betto, na qual o autor relata as memórias do período ditatorial no Brasil, destacando a trajetória política de algumas pessoas que se evidenciaram ao se oporem ao regime vigente, bem como um grupo de frades dominicanos - com destaque para Frei Tito que foi torturado ao ponto de tentar suicidar-se na cadeia e anos depois, já exilado, enforcar-se por não suportar os traumas que carregava nos recantos mais profundos da sua alma - e o líder de um grupo guerrilheiro esquerdista de maior resistência à ditadura, diga-se Aliança Libertadora Nacional (ALN), comandada por Carlos Marighella.
Após o golpe de Estado de 1964, o Brasil passou a viver uma das conjunturas sócio-históricas e políticas mais sombrias e violentas da sua história. Neste contexto, que durou cerca de duas décadas, as liberdades democráticas dos cidadãos foram suprimidas, principalmente, após a instituição do AI-5, o qual determinava a extinção do Congresso Nacional por tempo indeterminado, a cassação de mandatos de senadores, governadores e prefeitos, a extinção de vários partidos políticos e a criminalização e repressão dos movimentos de resistência e oposição ao regime.
Quem se opusesse aos mandos e desmandos da ditadura era perseguido, preso, torturado ou exilado em outros países, sendo que muitos foram até mortos, sumariamente, desaparecendo sem deixar pistas.
A película transmite cenas fortes, dramáticas e realísticas, afinal os horrores e crimes cometidos pelos agentes da repressão jamais deverão ser esquecidos da nossa história para que nunca mais se repitam os mesmos erros do passado.
É assim intitulada referindo-se metaforicamente a um dos ritos do catolicismo mais comum e conhecido, o batismo, pois representa a passagem para uma nova vida, ou seja, uma vida de fé, amor, esperança, solidarismo e fraternidade. No entanto, os frades dominicanos e os demais sujeitos coletivos que resistiram e lutaram pelo fim da ditadura e pela construção de uma sociedade democrática, justa e igualitária foram batizados não com água, mas literalmente com sangue, uma vez que após sofrerem diversas formas de tortura e violência, físicas e verbais, tiveram o seu sangue derramado em nome do povo brasileiro e de todos aqueles que de alguma forma foram reprimidos e censurados pela arbitrariedade não só no Brasil, mas em todo o mundo.
 Estes que foram torturados transitaram para uma nova vida, mas não uma vida de conquistas e felicidades e sim de traumas, sequelas e sofrimento psicológico. Foi o caso de Frei Tito que depois de ser torturado das formas mais brutais e desumanas não conseguiu superar os traumas emocionais e acabou suicidando-se, enforcado, num convento da França, anos depois de exilar-se.
Sempre fora um jovem reflexivo e questionador. Lutou contra a ditadura, pois, como cristão que acreditava e praticava os valores e princípios da sua religião, não podia ficar de braços cruzados, sem nada fazer, vendo o seu povo sendo perseguido e torturado. Pagou um alto preço pela sua valentia e coragem que, aliás, poucos demostraram. Um preço desproporcional que de forma direta e indireta custou-lhe a própria vida. Antes de interromper os batimentos do seu coração e o ar que mantinha seu corpo vivo, já havia sido morto pelo sofrimento que passou nos cárceres da ditadura. Os choques, pauladas, chutes e queimaduras marcaram o seu corpo, mas os xingamentos e humilhações que perpassou dilaceraram a sua alma definitivamente a ponto de não suportá-las. 

Autor: Marcondes Torres.

VEJAM TAMBÉM O RESUMO DO FILME

CONFIRAM O DOCUMENTÁRIO E UMA ENTREVISTA DE FREI TITO



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