Resumo do livro A Normalista de Adolfo Caminha

Fonte da imagem: Fortaleza em Fotos (Fortaleza-CE no século XIX)

“A Normalista” é uma obra da literatura brasileira escrita pelo autor cearense Adolfo Caminha, e publicada em 1893. É considerada uma das obras mais realistas por retratar com fidelidade a sociedade, os seus costumes e o cotidiano da população da provinciana capital do Ceará – Fortaleza. O autor descreveu os personagens da trama despindo-os de qualquer louvor ou exaltação, pelo contrário, desnudou com ares de sarcasmo e ironia os seus preconceitos, a sua pequenez e mesquinharia.
A protagonista do romance, Maria do Carmo, é uma adolescente ingênua e pouco inteligente. Fora criada pelo seu padrinho, João da Mata, e sua esposa D. Terezinha, desde criança, após ser entregue pelos pais, que moravam no interior da província, por causa dos efeitos devastadores da seca de 1877. Seus pais migraram para a capital em busca de refúgio e melhores condições de sobrevivência. Sua mãe logo morreu e o pai e os dois irmãos se debandaram mundo afora. Ela nunca mais os vira. Recebera apenas notícias de que o pai falecera no Pará.
João da Mata era um amanuense ou copista de documentos numa repartição pública da cidade. Morava na rua dos trilhos numa casinhola simples. Era fisicamente horrendo e moralmente repugnante. Sem escrúpulos vivia acariciando a afilhada com quem despertara sentimentos libidinosos e desejos ocultos. Dia a dia alimentava seus desejos de homem e a aliciava constantemente, abusando da inocência da afilhada que o evitava e repudiava, ainda que não demostrasse muita resistência por ser o seu padrinho, pelo qual exalava respeito e consideração por tê-la criada como filha e porque viva sob seu teto e proteção – pensava ela.
Desde muito nova a normalista, assim chamada por ser uma adolescente simples e normal como qualquer outra de sua idade, estudava numa instituição religiosa de caridade e logo mais numa Escola Normal onde conheceu e criou laços de amizade com Lídia, uma rapariga comentada em toda a cidade pelos seus casos amorosos, com quem confidenciava sua vida íntima.
Tempos depois conheceu, em uma jogada de víspora na casa do padrinho – jogo de azar com cartões -, e se apaixonou pelo jovem Souza Nunes, chamado por todos de Zuza, estudante de direito, fidalgo e filho de um rico coronel, o Souza Nunes. A partir de então viviam trocando correspondências às escondidas, pois João da Mata repreendia com veemência o relacionamento amoroso da sobrinha com o jovem, era movido por ciúmes possessivos, haja vista que a tratava como sua propriedade, sobre a qual detinha comando e, portanto, tinha o direito de decidir o que bem entender sobre sua vida.
Com a ajuda de sua amiga Lídia, se encontrava com Zuza nos bares da cidade, onde conversavam e bebiam cerveja na companhia do José Pereira, amigo de Zuza e redator do jornal Província. Os dois eram simpatizantes e amigos do governado Castro Alves. Logo toda a cidade estava comentando maledicências sobre o namorico da rapariga e do rapazola, o que deixava João da Mata ainda mais encolerizado e enciumado.  
Sabendo dos boatos maliciosos sobre o filho, o coronel Nunes ordenou que Zuza retornasse com urgência para o Recife para terminar o seu bacharelado em Direito. Este lamentou a ida sem antes ter desfrutado dos prazeres que Maria poderia ter-lhe proporcionado, demostrando apenas que se divertia com ela como se esta fosse uma qualquer. 
Certa noite, João da Mata entrou no quarto da afilhada e deitou-se com ela na rede. Ludibriou-a com mentiras fazendo-se de coitado e sedento de desejo começou a abusar-lhe. Maria não teve como esquivar-se sem coragem de armar um escândalo e também movida por um sentimento estranho e um instinto incontrolável deixou-se levar pelas investidas do padrinho e se entregou a seus braços. Meses depois descobriu que estava grávida e o amanuense logo se desesperou pensando no alarde que a situação causaria em toda a sociedade escrupulosa da época. Planejou e decidiu recrutar a afilhada num sitio distante da civilização, para “desembuchar” longe dos olhares curiosos, no casebre de uns amigos dos tempos de seca, os quais lhe deviam favores por ter poupado seus sofrimentos quando era comissário de socorros.
Passando-se o período da gestação chegou o momento do parto e, no entanto, por causa de complicações a criança nasceu morta. Maria ficou profundamente abalada e triste, já João da Mata ficou de certo modo feliz porque não haveria necessidade de se preocupar com os falatórios alheios sobre o caso que seria mantido em segredo, apesar de já haver contado a verdade para o amigo Guedes, redator do jornal Matraca, a quem pedira discrição e segredo.

Dias depois Maria do Carmo se recupera do ocorrido e volta às aulas na Escola Normal e torna-se noiva do alferes ou militar da polícia imperial, o Coutinho, com o qual sonhava ter uma nova vida, cheia de alegrias e prazeres.
Autor: Marcondes Torres. 

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